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Progresso ou desfeita?
‘El único que puede paralizar esta obra es el alcalde y no lo he hecho porque Oia tiene que mirar al futuro, no al pasado, y unas piedras no pueden ser un obstáculo para que se pueda producir o no’ (autarca de Oia, justificando a destruiçom de milenários petroglifos para deixar sítio a umha plantaçom de kiwis amarelos...)
Na Galiza tem havido tanta falcatruada no que respeita ao extermínio do Património que a ideia é que pouco surpreende já mais umha. Porém, este universo nom tem limites e a gente encirra-se em rachá-los como seja, e se em Vigo andam a derrubar todo aquelo que tenha um pouco de história ou de carácter, ou o círculo lítico da Mourela acabou a rolos pola via da insensibilidade, agora a cousa vai 'in crescendo', mais, por riba, com justificações tam alucinantes como a que encabeça este texto.
É bem sabido que , na Galiza e por razões moi estudadas e procuradas, embora pouco atopadas e menos conhecidas ainda, há umha tendência à auto-depredaçom. Extermina-se todo o que haja de riqueza cultural e patrimonial. As mámoas, ao círculos líticos, os depósitos arqueológicos em geral, a história, o idioma... Mais na meirande parte das ocasiões fazia-se com nocturnidade, às agachadas, e com tino de nom alertar à opiniom pública em excesso (mesmo neste caso já se ocupariam os médios afins de silenciarem o tema), mais desta vez só faltou fazer umha romaria popular e instaurar a festa do petroglifo escachado para celebrar com umha abundante paparota e presença de persoeiros e famosinhos/famosetes tal evento.
E todo polo progresso. Manda caralho! Quando um revê o dito polo autarca oiense, i.e. ‘unas piedras no pueden ser un obstáculo para que se pueda producir o no (mirar al futuro)’ treme pensando nas possibilidades da aplicaçom extensiva de tal mensagem:
- Que queremos construir um acelerador de partículas na Galiza? Pois que melhor sítio que o espaço que agora ocupam as Muralhas de Lugo, total som quatro pedras velhas.
- Que faltam hoteis em Santiago? Pois derrubemos a Catedral e todos esses edifícios velhos e passados de moda e construamos umha Cidade da inCultura contínua.
- Que precisamos dumha grande antena de telecomunicações? Pois nada, chimpamos abaixo a Torre de Hércules e ali mesmo.
E assi até arrasar com qualquer cousa que poda dar-lhe um ar próprio e diferencial à Galiza. Agora mesmo em processo co idioma e, polos vistos, tamém co Património já sem excusa nengumha. Seica cumpre limpar de ‘pedras velhas’ todo o território galego.
Mais, que irá acontecer quando todo esteja limpo de ‘pedras velhas’? Pois bem, penso que já o podemos ir comprovando. Temos umha arquitectura cada vez mais descontextualizada e que no canto de ir na procura da qualidade vai no caminho que marcam os outros. Aplicamos soluções alheias que nom funcionam no nosso País e assi a ordenaçom do território vai desartelhando núcleos, nom só físicos, mais tamém sociais. Pode que a Arquitectura nom seja já ‘salvadora’, mais si é ‘condenatória’ se se aplica sem jeito nem modo.
Contodo, é a ‘espectacularidade’ a que manda, e mesmo (isso já é a culminaçom) em arquitectos que moito tinham criticado tal opçom, seguramente com responsabilidade compartida pois nom devemos esquecer que a Arquitectura fai-se com ajuda de moitos outros colaboradores (incluídos tamém os usuários finais) e que, portanto, a culpa ou o mérito do que resulte é sempre de todos.
Porém, o ‘novo’, essa fugida das ‘pedras velhas’ nom oferece nada que ponha à Galiza na cabeceira do mundo. Quer dizer, que o que se faga aiqui em relaçom a todas essas novidades remata por ser um remake do que já há fora, e ao único que contribui é ao mantimento dumha Galiza periférica, secundária. Tamém em Arquitectura.
Porque, voltando aos kiwis. Que necessidade havia de estragar essas ‘pedras velhas’? Que vam oferecer esses kiwis amarelos que nom ofereçam os já existentes no mercado? Provavelmente rematem com preços irrisórios que obriguem a fechar a plantaçom e, entom, alá irám os postos de trabalho os kiwis e as ‘pedras velhas’. E todo para nada. Bem, para degradar ainda mais as possibilidades de futuro da comarca e do País inteiro.
Mesmo botando-lhe, nom já imaginaçom, mais senso comum: porque nom musealizar os petroglifos e o resto de achados arqueológicos que, parece, estám por aparecer? Nom imaginou o sr. autarca de Oia o que seria comercializar umha marca de kiwis co petroglifo impresso como marca nas etiquetas? Imaginam fazê-lo centro de peregrinagem turística? Produçom agrícola experimental e cultura. Somar no canto de restar. Isso seriam bastantes mais postos de trabalho.
Nom quero nem pensar que teria acontecido se as Covas de Altamira estiverem na Galiza, mais tremo coa ideia...
Referências:
"Oia permite arramplar cum depósito rupestre para a plantaçom de kiwis"
"A apariçom de restos dum antigo assentamento romano obrigaria a umha escavaçom."
"Umha exploraçom de kiwi arrasa um depósito arqueológico em Oia"





